São Francisco abre as portas do museu mais verde do mundo: California Academy of Sciences

 Cristina Massari


RIO - São Francisco, hoje reafirma sua vocação inovadora materializando a paixão californiana por questões ligadas à sustentabilidade, e inaugura o museu mais verde do mundo, uma referência no uso de tecnologias sustentáveis para estruturas de uso público. A assinatura do arquiteto genovês Renzo Piano, ganhador do Prêmio Pritzker, avaliza o projeto, que custou quase meio bilhão de dólares.
Instalada neste novo prédio no Golden Gate Park, onde cada detalhe de sua estrutura e funcionamento foi planejado seguindo conceitos de reciclagem e sustentabilidade, a Academia de Ciências da Califórnia (California Academy of Sciences, CAS) dá prosseguimento a sua missão de "proteger, explorar e proteger a vida natural". Seu novo prédio resulta num museu que dispensa o uso de ar-refrigerado central, com flores e plantas no telhado e paredes compostas de restos de calças jeans, entre outras curiosidades.

Além do projeto inovador de Renzo Piano em colaboração com Stantec Architecture,, internamente o CAS tem atrações de sobra para o visitante. Reúne numa só estrutura Aquário, Planetário, Museu de História Natural, floresta tropical indoor, além do 'telhado-vivo'. O prédio concentra os departamentos da academia, antes divididos em 12 prédios, construídos ao longo de oito décadas, numa construção totalmente integrada ao seu novo endereço, cercada pelo verde do Golden Gate Park.
Cerca de 38 mil animais já se mudaram para as novas instalações do museu e estão a postas para a abertura no próximo sábado, dia 27: de uma colônia de pingüins africanos, peixes exóticos australianos, borboletas, e um esqueleto de baleia azul com mais de 24 metros estão entre os destaques do que os visitantes encontram no museu.

O "telhado-vivo" é um ícone do museu. Coberto por plantas nativas da Califórnia e espécies selvagens, em sua topografia em auto-relevo agrupa sete 'montanhas' que harmonizam com a topografia do parque. Internamente, estes 'montes' correspondem a áreas de exposição dentro do museu: planetário, a floresta tropical, aquário. As plantas no telhado permitem a absorção de 60% da água da chuva. Isso, somado ao uso de água do Oceano Pacífico no aquário, e ao reuso de água da cidade de São Francisco nos sistemas que abastecem o prédio, fazem do projeto da CAS também um modelo em eficiência do uso da água.
O telhado, onde mais de um milhão de mudas foram plantadas contribui para baixar a temperatura no interior do prédio, porque as plantas absorvem os raios do sol. Além disso, as janelas têm sensores de temperatura que comandam sua abertura e fechamento automaticamente - disse Richard Peterson, diretor de vendas para a Industria de Viagens da Calfornia Academy of Sciences, ao avisar que por isso, o museu dispensa o uso de um sistema de ar refrigerado central.
A idéia de Renzo Piano era criar uma noção de transparência e conectividade entre o prédio e o parque através da seleção criteriosa de materiais e arranjo espacial. O vidro é material usado ostensivamente nas paredes externas, possibilitando aos visitantes observar também a área verde do parque. De fabricação alemã as vidraças utilizadas são conhecidas por sua intensidade de transparência.
- Geralmente, museus não são transparentes. São opacos, fechados. São como um reino de escuridão e o visitante se sente preso em seu interior, como numa armadilha. Você não vê onde está. Mas nós estamos no meio de um belíssimo parque, o Golden Gate Park, então você vai quere olhar lá fora e ver onde está - explica Renzo Piano, responsável também pela planta do Centro Georges Pompidou e a reconstrução da Postdamer Platz em Berlim.
O Steinhart Aquarium será um dos mais interativos e de maior biodiversidade entre os que existem no mundo. As cores que exibições da vida marinha costumam oferecer serão intensificadas pela entrada de luz natural e raios de sol diretamente no aquário sobre os recifes de corais. Uma ponte de vidro otimizará a visualização de espécies que fazem sucesso, como tubarões, arraias e tartarugas-marinhas.
Com o uso das tecnologias mais avançadas disponíveis, o novo Morrison Planetarium do CAS promete criar experiências de imersão sem precedentes aos visitantes. Com capacidade para 300 espectadores e um novíssimo projetor digital e programas beneficiados pelos últimos avanços na tecnologia da indústria de videogames permitirão aos visitantes escolher a sua viagem interplanetária virtual, que pode ser uma visita a Marte, a planetas extra-solares, ou outras aventuras espaciais, tais como transmissões ao vivo sobre lançamentos da Nasa.
" Museus costumam ser como um reino de escuridão e o visitante se sente preso como numa armadilha. Mas, no meio do Golden Gate Park, você vai quer olhar lá fora e ver onde está (Renzo Piano) "

Richard Peterson , o diretor de vendas do museu, diz também que no teto, as janelas-basculante, além de se abrirem para refrigerar o ambiente, têm células para a captação de energia solar embutidas no vidro.
- Cerca de 20% da eletricidade usada no prédio vêm da energia solar.
O prédio é feito de materiais recicláveis. As paredes são revestidas com um composto que inclui material de jeans reciclado para isolamento térmico.
- Do concreto e aço usados na estrutura, 50% são reciclados de outras construções e projetos - acrescenta Peterson.
- Nosso objetivo foi criar uma nova instalação que não vai apenas apresentar poderosas exibições, mas que será ele mesmo uma atração, inspirando os visitantes a conservar os recursos naturais e ajudar a preservar a diversidade da vida na Terra - acrescentou Gregory Farrington, diretor executivo da Academia de Ciências da Califórnia.
Serviço:
O California Academy os Sciences fica no Golden Gate Park (55 Concourse Drive). Tel.: (415) 379-8000. www.calacademy.org
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