Velódromo de Manaus

Em 1899, o bairro da Cachoeirinha ganhou o primeiro velódromo da cidade, construído por um grupo de comerciantes locais que havia conhecido o Velódromo Paulistano (o primeiro do país, inaugurado em 1892, em São Paulo) e ficado encantado.


Batizado de Velódromo Recreio, ele possuía pistas ovais revestidas de madeira semelhante às pistas dos “motordromes” existentes nos EUA na mesma época.

A parte frontal do velódromo ficava na rua Santa Isabel, os fundos na rua Silves, e a lateral na rua Urucará.

Naquela época, corredores estrangeiros e do sul do país desembarcavam semanalmente de vapores no Roadway para participar de competições de bicicletas, motocicletas e tandem bike, um tipo de bicicleta mais comprida com dois, três ou seis assentos.

Esse divertimento igualava-se ao futebol dos dias de hoje, com milhares de pessoas participando ativamente das competições e torcendo pelos seus atletas favoritos.

Alguns corredores marcaram época em Manaus, como o espanhol Sebastian Neira, o português José Bento e o brasileiro Alcebíades Alves, hoje nome do principal ginásio esportivo de Ivaiporã (PR), onde nasceu.

Quando deixou de funcionar, em meados dos anos 30, o Velódromo Recreio já era considerado o melhor velódromo do Brasil.


Em 1944, no mesmo local, foi construído o Velódromo Álvaro Maia, sob a supervisão do engenheiro Deodoro D’Âlcantara Freire, que havia adquirido o terreno abandonado com as antigas instalações.

O novo velódromo, feito totalmente em alvenaria, possuía área para patinação, tênis, boxe, basquete, voleibol e pistas de atletismo, além de cabines para a imprensa, vestuário, banheiros e salas de serviços médicos.

A pista de velocidade possuía 250 metros de extensão e 35 graus de inclinação, sendo considerada pela imprensa especializada como a melhor pista do Brasil e a segunda da América do Sul (só perdia para a do Velódromo Municipal de Montevideo, no Uruguai, considerado ainda hoje uma das três melhores pistas do mundo).

Os tipos de corridas disputadas nessa época eram entre as motocicletas Indian e Harley Davidson, os ciclomotores Velocette, Cotton e Douglas e as bicicletas com aros de madeira, pneus de seda e pião preso com roda livre, isto é, sem freios.

As marcas de bicicletas de corrida mais utilizadas eram Raleigh e Peugeot.

O scratch era o primeiro dos cinco tipos de corrida de bicicleta disputadas no velódromo.
Consistia em quatro voltas na pista, num total de mil metros.

Nos primeiros 800 m, os ciclistas traçavam táticas de ataque e defesa. Só eram cronometrados os últimos 200 m.

A modalidade denominada corrida de fundo assemelhava-se à anterior, exceto quanto à distância (10 mil metros) e ao número de voltas (40).

A prova do quilômetro contra relógio era individual e consistia em conseguir o melhor tempo num percurso de mil metros.

Na perseguição individual, os ciclistas se colocavam em lados opostos da pista e, ao sinal do juiz, começavam a perseguir-se mutuamente durante cinco voltas.

Seria vencedor o que chegasse primeiro a sua meta ou alcançasse o adversário.

A última das provas de velódromo era a de perseguição por equipes.

Tinha uma eliminatória contra relógio, que classificava oito equipes para as quartas-de-final e seguia a disputa nos mesmos moldes da perseguição individual.

O velódromo também oferecia outras atrações como competição individual de patins, demonstração de patins rebocados por motocicletas e corridas de bicicletas coladas a motocicletas.


Nesse último tipo de competição, os ciclistas, para ganhar velocidade, prendiam a traseira da bicicleta em uma motocicleta e, depois de um determinado número de voltas, a motocicleta saía da pista enquanto os corredores continuavam a corrida para ver quem seria o vencedor da prova.

Entre os principais ciclistas da cidade estavam Melhoral, Tupã, Muiraquitã, Colibri, Rocha, Flecha, Perônio, Torpedo, Induzido, Belgique, Tubarão, Rapidoca, Mucuim, Catavento, Faísca, Curió e Timba.

Todos eles possuíam torcidas organizadas e eram muito populares entre os esportistas da cidade.

Algumas vezes, na área central do velódromo, era montado um ringue para competições de luta livre, boxe, judô e jiu-jítsu.

Nos finais de semana, o velódromo recebia um público estimado em três mil pessoas.


Fanático por corridas de velocidade, Deodoro D’Alcântara Freire resolveu viajar para a Europa e os EUA a fim de manter parcerias com os proprietários de outros velódromos e realizar intercâmbio para a exibição de atletas sem ser obrigado a pagar cachês milionários.

Seu sonho, no entanto, não chegou a ser concretizado: ele faleceu em 1950, quando retornava de uma dessas viagens.

Com a morte do proprietário e principal incentivador do esporte em Manaus, sua família vendeu o velódromo para a firma comercial do Dr. Bezencry.

O empresário transformou as arquibancadas e as dependências utilizadas como vestuário, depósito de bicicletas, enfermaria e posto médico em autênticos “cabeças de porcos”, posteriormente alugados para famílias de baixa renda.

A área interna do circuito oval foi transformada em um campo de futebol, que resistiu até o início dos anos 80, quando o antigo velódromo se transformou em depósito da Serraria Moss.

Durante três décadas, o campo do velódromo (um dos únicos campos gramados da Cachoeirinha) serviu como palco para um dos mais organizados campeonatos de futebol amador da cidade, tendo revelado grandes craques como Mário Gordinho e Edmar Macaco.

Hoje, no local, funciona uma lanchonete do grupo Habib’s.

Fonte: Simão Pessoa
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1 comentários:

  1. Olá Keyce Jhones,


    Gostaria de saber mais informações sobre as fontes utilizadas para escrever o texto, você poderia me enviar?

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