Manaus ainda não tem espaços para ciclistas.

Espaços para circulação de bicicletas ficam só no discurso. Na prática, obras da prefeitura e governo não contemplam ciclistas.
Essa é a realidade dos ciclistas que se aventuram pelas ruas de Manaus: perigo constante em meio a motos e carros, pela falta de espaço destinado a eles. Foto Antonio Lima


O incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte tem sido um tema cada vez mais debatido em Manaus. No entanto, apesar de os atuais governos municipal e estadual “defenderem” o assunto, motivados pela provocação popular, as obras que realizam na cidade mostram que o discurso está desafinado com a realidade. Fato que comprova a falta de praticidade nas promessas para a melhoria da mobilidade com bicicleta é a criação de novos corredores viários e recuperação da vias existentes em Manaus.


Nenhuma contempla ciclovia ou ciclofaixa. A Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), por exemplo, homologou a licitação para recuperar as ruas do Distrito Industrial ao custo de R$ 84,5 milhões. O detalhe é que as vias que não têm espaço dedicado a bicicletas vão continuar sem, porque o projeto não prevê ciclovias ou ciclofaixas. No entanto, há industriários e vigilantes que, mesmo tendo transporte disponibilizado pelas empresas, usam bicicletas no deslocamento para o trabalho.

Avenida das Flores terá 11,1 quilômetros de extensão e nenhuma faixa para ciclista. Foto Ney Mendes.
O mesmo ocorre na Avenida das Flores. A nova via terá 11,1 quilômetros de extensão saindo da avenida Governador José Lindoso (Torres), seguindo pela avenida Timbiras, até a rodovia AM-010. Entretanto, apesar de o projeto mostrar que a via terá duas mãos de fluxo, um canteiro central e três faixas para circulação de veículos em cada lado, não há nada voltado para bicicletas. A única faixa reservada será para o “corredor exclusivo de ônibus” do sistema de transporte coletivo. 

A Avenida das Flores é uma das obras de “projeto de mobilidade urbana” do Governo do Estado. Inclui, ainda, a construção de um anel viário, ligando o Distrito Industrial à avenida Torquato Tapajós, também sem ciclovia ou ciclofaixa. A obra será entregue até o final do atual governo, em 2014, com um investimento total de R$ 221,7 milhões.

Quem usa bicicleta na área do Distrito continuará sem espaço para trafegar. Foto Ney Mendes.
 A intervenção, conforme o Estado anunciou, é uma alternativa viária para que o fluxo de veículos na cidade seja melhor. Da mesma maneira, a promoção da mobilidade por bicicletas é defendida como meio de transporte, lazer e esporte para desafogar o trânsito e melhorar a qualidade de vida da população. Mas o provado pelo projeto são discursos que não batem com as obras.

Só os pedestres terão vez na " Nova Djalma Batista", pois calçadas serão ampliadas. Foto Ney Mendes.
Até o final de 2013, o projeto da “Nova Djalma Batista” deve ser concluído pela Prefeitura de Manaus. A avenida que concentra um dos fluxos mais intensos de veículos terá as calçadas ampliadas em três metros em cada lado. O espaço não poderá ser usado para estacionamento. Em outras cidades do País, as prefeituras também ampliaram as calçadas e construíram ciclovias.

Município parece mais engajado

O município é o que está mais envolvido na defesa do uso da bicicleta. Apenas em quatro meses de gestão, neste ano, houve mais reuniões para discutir a criação de ciclovias e ciclofaixas que nos quatro anos da última gestão. No entanto, embora a presença de cicloativistas seja constante, principalmente na apresentação de projetos, estudos e sugestões, no Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) as ações do município continuam tímidas. A primeira intervenção da prefeitura na temática cicloviária foi implantação dos primeiros trechos de ciclofaixas de Manaus, na avenida da Natan Xavier, na Zona Norte de Manaus.

A única iniciativa do Estado, até o momento, foi criar a Comissão de Ciclista do Amazonas, em abril deste ano. A comissão, que é coordenada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM), foi criada depois que o ciclista Wagner Luiz da Silva Corrêa foi atropelado e morto, na rodovia Manoel Urbano (AM-070), próximo à ponte Rio Negro. Ele foi atropelado por um policial que, segundo testemunhas, apresentava sinais de embriaguez. No entanto, pelo Estado ainda não há intervenção em obras que beneficiem o uso de bicicleta.

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