10 anos sem carro, 10 anos de bicicleta.



2015 é um ano muito importante na minha vida, pois há 10 anos resolvi largar o carro e adotar a bicicleta como meio de transporte.

Na verdade pedalo desde a infância, tudo começou com meu pai, que também pedalava, para fazer de tudo, inclusive deixar eu e minhas irmãs na escola (no bairro Cachoeirinha), nesta época ele carregava os três na bicicleta Monark, dois no bagageiro e um no quadro. Nessa época, meado da década de 80, o trânsito de veículos motorizados era moderado e havia respeito, as vias não sofriam com inchado dos automóveis, as calçadas eram largas e favoráveis às caminhadas longas, onde também fazíamos esse percurso todos os dias para ir à escola.

Na adolescência, usei durante muitos anos, a bicicleta da família, a bike era compartilhada com todos, muitas vezes disputada entre eu e minhas irmãs e também os vizinhos, que sempre batiam no portão pra pedir a bicicleta empresta.

Neste período de adolescência, eu não me aventurava em pedalar por longas distâncias, até porque eu ainda estava conhecendo a cidade. Mas um dia resolvi me aventurar e fui pedalar até o aeroporto internacional de Manaus, naquela época ele era lindo e atrativo para o turismo e lazer. Nesse dia, na Torquato Topajós, acabei sofrendo um acidente que me deixou traumatizado, uma combi passou por mim, tocando na bicicleta, fez com que eu me desequilibrasse, acabei caindo em uma vala da sarjeta, larga e profunda nesta via, tombei feito, mas não me machuquei seriamente, apenas arranhões por todo o corpo, o problema maior foi a bicicleta, que ficou praticamente retorcida. A volta pra casa foi uma tortura, ter de carregar a bicicleta por mais de 10 quilômetros, até chegar em casa bastante frustrado, ferido, decepcionado e muito cansado. Larguei a bicicleta...

Muitos anos depois, a antiga paixão ficava martelando na minha cabeça durante muito tempo, desde 2000 praticamente eu voltei a namorar a bicicleta, mas não tinha coragem em voltar a pedalar em uma cidade que se transformou muito, inchou rapidamente em poucos anos, e até hoje não pára, com tantos incentivos aos uso exclusivo do carro. Motivo lógico para todos reclamarem. Eu também reclamava muito, me estressa muito no trânsito que eu percorria de carro para o trabalho e a faculdade.

Toda vez que eu enxergava uma bicicleta passando por mim, me sentia angustiado por estar preso em uma máquina que pesa toneladas e ocupa o lugar de dez bicicletas praticamente. Vivia um período frustrante...

Em 2005 foi um ano de transformação na minha vida. Foi o ano que me tornei vegano, depois de passar pelo vegetarianismo. Foi o ano que larguei o celular, a televisão e o carro... foi um ano de desapego. Larguei o carro definitivamente, pois a paixão pela bicicleta era latente e resolvi enfrentar o meu trauma e encarar a cidade violenta.

O medo foi grande, mas depois de começar as primeiras pedaladas, a endorfina foi liberada instantaneamente no meu corpo. A sensação de prazer, de relaxamento e de bem-estar tirou completamente o estresse do meu corpo. Foi o melhor dia da minha vida, para onde eu olhava, eu sorria com o vento no rosto e a sensação de liberdade.

Me libertei de um sistema, e agora a minha luta interna, se transformou em uma luta em prol de todos. Defendo a bicicleta não como solução, mas como viabilidade entre opções de modais, para tornar nossa cidade justa, organizada e respeitosa.

A luta é grande, cansativa, mas precisa ser contínua, com vento no rosto e sorrindo. 
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