Intervenção arquitetônica em ruínas históricas, no Castelo de Pombal, em Portugal.


O Castelo de Pombal é um testemunho do poder do tempo como ator principal na transformação do ambiente construído. O lugar tem sido sucessivamente ocupado desde o tempo do império romano e desde então já desempenhou vários papeis e foi palco para várias práticas espaciais e sociais. Evoluiu desde uma pequena comunidade no topo da colina até se assumir como uma estrutura militar vital numa rede defensiva à escala do território. Finalmente, nos últimos tempos, ganhou o estatuto de destino turístico e marca identitária para toda a região. Depois do projeto da Reorganização da Encosta da Castelo de Pombal, os Comoco Arquitectos foram encarregues de elaborar o projeto de um Centro de Visitantes no interior do castelo, incluindo os arranjos exteriores do recinto e a revitalização das instalações da Torre de Menagem.

O maior desafio do projeto esteve na definição de uma estratégia que não fosse ostensiva nem submissa em relação às múltiplas camadas de história que convivem no interior do recinto do muralhado. Ou seja, era necessário encontrar uma posição adequada entre os vários artefatos que existem naquele espaço, na sua maioria ruínas, mas que são partes de uma memória colectiva que se pretende preservar e, mais ainda, realçar. 


A estratégia de intervenção dividiu-se em três componentes. No projecto de arranjos exteriores, os pavimentos em calçada existentes foram consolidados e postos a descoberto e o restante espaço foi preenchido com gravilha; Na revitalização da Torre de Menagem foram introduzidas alterações pontuais no volume em aço corten e desenhado o mobiliário para o espaço servir como espaço expositivo. No entanto, o desafio mais complexo foi a introdução de um novo volume para servir de Centro de Visitantes que devia incluir o espaço de recepção, uma sala negra para projeções virtuais da história do castelo e uma área de arrumos.

Com um recinto relativamente reduzido (1200 m2) e povoado de inúmeros elementos, introduzir um novo volume significava uma inevitável confrontação com os elementos existentes que definem aquele espaço. Esta circunstância tornou-se, no entanto, o elemento fundamental para desenvolver o projecto: o novo volume devia ter uma certa ambiguidade. Por um lado devia fundir-se com os elementos existentes do recinto do castelo e, por outro, devia assumir-se como uma nova camada colocada sobre as pré-existências. Em síntese, procurou-se um diálogo criativo com a situação “as found”, tentando tirar partido da nova construção para ativar experiências espaciais que se encontravam dormentes.

O programa foi compactado para dimensões mínimas e o volume desenhado de um modo tal que o tornasse num dispositivo espacial inspirado na tectônica do castelo, principalmente nas escadas que articulam as plataformas existentes no recinto. Na realidade, o novo volume cria ele próprio uma nova plataforma que possibilita o acesso ao nível da janela manuelina aberta na muralha. 

A proposta para o Centro de Visitantes do Castelo de Pombal procura estabelecer uma deliberada condição de ambiguidade definindo um espaço liminar que recria a experiência espacial do castelo como um elemento de controlo sobre a paisagem e, ao mesmo tempo, como um local de abrigo.

Fonte: ArchDaily Brasil
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