Em Manaus poucas edificações contam a história do período de transição entre a Monarquia e a República.



Entre os mais expressivos está o casario da Rua Bernardo Ramos, os imóveis 69 e 77 de arquitetura estilo colonial português ainda pode ser observado e recentemente 'reformado', não sendo concluído o processo de restauração. A casa de esquina da Rua Bernardo Ramos com o Beco José Casemiro (Nº77) pertenceu ao antigo vereador e dramaturgo José Casemiro do Prado, foi proprietários dos primeiros teatros em Manaus, o Teatro Tália e o Éden Teatro (destruído e ficava ao redor da Praça da República, onde hoje é a Capitania dos Portos).

Há uma série de residências que ainda sobrevivem e não são reconhecidas por seu valor histórico e evolução arquitetônica na cidade de Manaus, todos com grande representatividade do período de transição, todos eles podem ser vistos neste belo levantamento fotográfico (http://bit.ly/1SQJfS7) e também podem ser visitados no Sítio Histórico da cidade.

Outros exemplares do período monárquico e que não foram remodelados, com o embelezamento que surgiu logo após a Proclamação da República, com a nomeação de Eduardo Ribeiro como governador do Estado que decretou a política de embelezamento da cidade (Bélle Èpoque), foi o Palácio do Governo, atual Paço da Liberdade (Museu da Cidade), com sua característica eclética neoclássica; a Igreja Nossa Senhora da Conceição; Igreja dos Remédios; Liceu Provincial (atual Colégio Dom Pedro II); Igreja de São Sebastião; Palacete Provincial (atual Centro Cultural); antigo Hospital Militar (hoje comando da Marinha na ilha de São Vicente); Reservatório da Castelhana (no cruzamento da av. Constantino Nery, com av. Boulevard Alvaro Maia, atualmente pertence a empresa da Manaus Ambiental); Uma edificação resistente na avenida Eduardo Ribeiro (quase em frente ao Relógio Municipal); e o Pavilhão Central do Mercado de Ferro (1883), com sua fachada original voltada para o Rio Negro - atual Mercado Adolpho Lisboa, sem as edificações de alvenaria da fachada principal que fica para a rua dos Barés, os pavilhões laterais (carne e peixe), o pavilhão das tartarugas e os quiosques, sendo todos instalados após o período republicano.

Muitas outras edificações também resistiram ao período de transição para a República, mas eles sofreram grandes transformações estéticas de suas fachada, que antes eram de 'Arquitetura Colonial', sendo uma das principais características a ausência de platibanda nas edificações. Um dos mais expressivos e resistentes nesta fase foi o hotel Palace, a casa 22 Paulista e muitas outras edificações. Logo após a posse de Eduardo Ribeiro, já no período Republicano, ele decreta que a cidade precisa sofrer uma grande transformação, para que possa sanar os diversos conflitos sociais e urbanos que existiam na época, com isso foi traçado o plano urbanístico de Embelezamento da Cidade, com novo traçado e construção de novos edifícios, com isso centenas edificações tiveram que ser demolidas para que as obras de remodelamento da cidade pudesse ser concluída, gerando insatisfação para alguns, mas trazendo prosperidade e benefícios de desenvolvimento para outros.

Manaus ainda conta muito a história da evolução arquitetônica, cultural e social deste grande museu a céu aberto, através de todo esse conjunto arquitetônico expressivo da época, que precisa ser preservado, pois apenas alguns deles são valorizados, enquanto outros sofrem com a descaracterização, abandono e demolição.
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